Acho que todo homem deveria decorar esse poema da Cecília Meireles:
LUA ADVERSA
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu... "
Nós mulheres, apesar de negarmos várias vezes, somos complicadinhas, e a Cecília acertou em cheio ao fazer esse poema, afinal, é uma mulher como todas nós. Acho que preciso de fazer uma pequena análise, os homens provavelmente não vão entender! rs
Todos sabemos que a lua tem 4 fases: nova, crescente, cheia e minguante. Por isso o "Lua Adversa", essa 'coisa' contraditória de ter várias fases. Mas é claro que temos uma analogia nisso. Na simbologia indígena, sol quer dizer homem e estrela quer dizer mulher. Ou seja, o eu lírico vai falar da mulher (lua). A primeira estrofe fala de "fases de andar escondida" e "fases de vir para a rua", que é exatamente como nos sentimos as vezes. Há dias que queremos ficar apenas no nosso quarto sem sermos incomodadas e há dias que queremos falar com todo mundo ao mesmo tempo. Cecília continua com "fases de ser tua" e "outras de ser sozinha" ... Tem dias que por mais que amemos nosso namorado, ou qualquer outro nome que for, não queremos vê-lo nem pintado de ouro, e tem dias que precisamos ficar grudadas nele o tempo todo, não é?
Na segunda estrofe o papo já é sobre calendário. Nós mulheres somos regidas pelo ciclo menstrual, de aproximadamente 28/30 dias. O ciclo completo da lua é também de 29 dias (sendo mais precisa, 29 dias e meio). A diferença é que o ciclo da lua é preciso e sabemos exatamente qual fase virá, já nós mulheres só temos surpresas pela frente. Por isso foi usada a expressão "secreto calendário". O futuro é sempre uma surpresa. Se soubéssemos tudo que viria, teríamos um manual de uso, assim como o astrólogo tem o da lua.
Para finalizar, voltamos para a nosso tristeza, a última estrofe. Fuso é algo que gira em torno do seu próprio eixo, e melancolia, todo sabemos, é uma profunda tristeza. Significa que rodamos sempre em torno desse eixo, esse nosso ciclo, nosso calendário surpresa, que vem acompanhado da melancolia. Sofremos com essa inconstância toda, pois "No dia de alguém ser meu // não é dia de eu ser sua... // E, quando chega esse dia, // o outro desapareceu...". Sofremos porque os homens não sabem entender nossas fases, não são compreensíveis e pouco pacientes, na maioria das vezes. Claro que há homens e homens. Se todo os homens batessem um papo com a Cecília, eles seriam homens melhores!
E só um ps: homens que sabem entender as mulheres, me desculpem ;)
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Em que mundo vivemos! Acho que na verdade o mundo sempre foi assim, mas antes certas coisas não eram discutidas, as pessoas deixavam esse papel para os grandes filósofos e escritores. Padrões sempre existiram, e da mesma forma, em cada canto do mundo há quem se mate para estar nesse padrão ridículo. Todos idiotas, todos bonecos nas mãos da mídia e seus aliados nesse jogo de manipulações. Queria viver em um mundo em que só existisse pessoas como o "Pequeno Príncipe"; estou cansada dessa prepotência e ambição desmedida, desregrada, depravada, egocêntrica, cega e qual mais adjetivos vocês quiserem enfiar aí no meio. Estou cansada de pessoas que falam apenas o que os outros querem ouvir e não a verdade. Estou cansada das guerras ao redor do mundo. Estou cansada de justificativas idiotas para as atrocidades, será que ninguém percebeu que esse discurso de Maquiavel já foi mais que usado, não? Quantas vezes ainda terei que ouvir que "os fins justificam os meios"? Já me basta o PT dizer que rouba, mas faz! Caramba, não quero saber, isso não é justificativa pra roubar, onde foram parar os valores dessa sociedade atual, onde? Todos nós por tanto conviver com isso, passamos a tolerar. Eu não tolero. Mas será que posso fazer algo com essa minha voz tão fraca? Espero que sim, algum dia. Só sei que estou cansada, de tudo e de todos.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Lívia
"(Escolher é sempre difícil. Para aliviar a tortura, interpretei “a melhor” como “a que a minha intuição mandou escolher”)
Desde o começo de 2009, tenho fotografado albinos. Tento valorizar os tons pasteis de pele, lábios, pelos… Foram vários encontros especiais. Gosto de fotografar quem não costuma ser fotografado. Acho mais interessante. Não há trejeitos nem poses estudadas e, por vezes, o que ocorre é um “estranhamento”, uma timidez que invade o estúdio e vira gestos, olhares, tensões. Grande parte das minhas fotos são retratos diretos, frontais. Essa foto da Lívia foge disso um pouco. Com seus 3 anos e uma beleza única, Lívia parece pertencer a um universo de conto de fadas. Diante da câmera, e como o centro das atenções, sua timidez e a pouca visibilidade (os albinos têm dificuldades visuais) as levaram a um mundo só dela. Procurei me calar e, estático, registrar aquilo que via… sem direção, literalmente. Foram longos minutos de transe apreciando a delicadeza daquela princesinha. Um espelho: eu tantas vezes tímido e sempre em incontáveis mundos meus…"
Gustavo Lacerda
Gustavo Lacerda
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